quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Eu ainda...


E de que serve tudo isso, e de que estamos falando. Sinto cheiro de hostilidade, sinto um vento gelado que me cobre. E de que serve tudo isso. Suas mãos geladas, seus olhos pálidos e inexpressivos. Essa sua boca com raiva e meus olhos inconseqüentes. Sinto cheiro de maldade, sinto cheiro de criança. Vicio-me em minhas atitudes. Tudo o que vejo são viciados em poder, são viciados em padrões. Vejo-me viciado em ser diferente e mesmo assim sou igual. Vicio-me em fantasia. Visto-me de ternura e pulo esses sete andares.
E do que estamos falando?
E ainda choro com esses filmes bobos, e ainda encolho-me no sofá de frio, de medo. E ainda espero pelas palavras certas, pelos seus dedos. E ainda me vejo a fantasiar. Ainda estou na fase de conseguir, ainda consigo imaginar seu rosto com detalhes apaixonantes. Tão longe, tão. Logo na próxima esquina, logo no próximo gesto. Logo te vejo, e logo irei te beijar e passar a eternidade nesse desconhecido. Ainda imagino minhas noites frias no teu colo, e minha boca acompanhando a sua. Nas palavras, nas idéias, nas esquinas. E ainda choro com esses filmes bobos.