sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

De todas as coisas do mundo


De todas as coisas do mundo
Você é a mais presente e mais singela
Voce é a mais timida, a mais criatica.
Você é a mais falante.
De tudo que respira
Você é a mais inconstante
A mais ansiosa
Você é a mais ambicioa
De tudo o que me fere
Voce é a mais competente
A mais carinhosa
A com mãos mais macias
De tudo que amo
Você é a mais esquecida
A que me dá mais orgulho
A mais negada
De tudo, tudo, você é a melhor.
A mais sincera, a mais estranha
A mais confusa
De tudo, te quero.
De tudo já tenho...
Mas me confudo nas palavras.
E no fim logo te esqueço

sábado, 3 de janeiro de 2009

Tochas

O dia estava tipicamente nublado e todos os olhos encharcados de desespero cotidiano. No rodar das coisas um ponto destoante brilhava no centro da cidade. Seu nome ninguém se atreva a pronunciar. Seu sorriso era disfarçado e suas bochechas criavam um tom rosado peculiar. As mães tampavam os olhos de seus infantis maridos. As crianças corriam para lugar algum. Os cães sarnentos cantavam e no meio da praça dourada uma confusão de cheiros e temperaturas transbordava.O ponto de luz continuava esticado no centro de tudo com um ar indiferente. De nada sabia, de formas, formulas, fábulas ou fantasias.Sua família o abandonará. Seu rude brilho acabará com a tv e o radio. Seu tio, o mais velho, enlouquecerá e suas donas entediaram-se.Logo a nuvem negra pairou sobre o asfalto e a multidão aplaudirá para direções aleatórias com lábios abertos e orgulhosos dentes amarelos a mostra. Uma temperatura morna e suficiente chegará com a poeira trazida. E os cães latiam. O ponto no meio da praça chuvosa foi-se acamando, esmagando. E as donas chorando, porque é assim que se deve ser. Um por um foi-se indo para seus prazerosos despercebidos afazeres. De olhos fechados e sorriso no rosto, com lágrimas obrigatórias. As crianças perdidas e os cachorros mortos cheirando a rosas. E do ponto luminoso tão pouco sobrou. Um grão de areia tão tão longe do mar.

Carta sobre o obvio


Carta sobre o obvio

E cá estou eu, mais uma noite perdido entre o meu orgulho e minha carência, olhando cores onde não há, dando movimento a coisas mortas no ar. Cá estou eu mais uma vez escutando musicas tristes para distrair, para extravasar. Perdido na minha insegurança, nos meus desejos. Cá está você na minha lembrança, e pior que nem posso enxergar se estás bem ou mal desenhado. e o quanto importa. Pelo menos consigo ver que tudo são sintomas previsíveis, aquela pontinha de ciúme que me explode por dentro. É só o que sobrou dentro.