
Aposentei-me de tudo e de todos, me ausentei por tempo indeterminado e em estado de inércia fiquei pelo resto dos dias. Ignorei os sentidos, os sons e pedidos. Distrai-me nas regras e protocolos. Disfarcei, enfim, de nada.
Primeira vez Nessa forma estranha
Um olhar perdido no meio daquela multidão que ia para lugar algum, ou em direção ao breu. Tudo se movia rapidamente junto com o pulso. Pulso abandonado. E aquele olhar ia se perdendo entre pernas e mãos. Suado ia se jogando as traças, aos truques dos pouco inteligentes. Ora ou outra se divertia com os saborosos importunos alheios, e os beijava, beijava sempre, mas nunca para sempre. Se deixava levar pelas musicas cantadas a beira da orelha. Sentia cócegas com as barbas, farpas e cuspidas. E lá ia, olhos, olhos coloridos de quem nem sabia que os tinha. De mãos atadas, ia, sem parar, sem olhar para ninguém. Mas o pulso batia, batia mais forte que as fortes passadas da multidão. E aquela inquietude ia tomando o pulso, os dedos, o fôlego. E já não havia mais barbas suficientes e as canções se esgotaram. E é tão difícil prestar atenção em algo. Tão tão difícil. Será que teus olhos trombarão com os meus, surgirão no meio desse acumulado de corpos de fumaça. E esse pulso que não para de bater, acalma-te.