terça-feira, 31 de março de 2009

Aposentei-me, Ignorei, Distrai-me, Disfarcei...


Aposentei-me de tudo e de todos, me ausentei por tempo indeterminado e em estado de inércia fiquei pelo resto dos dias. Ignorei os sentidos, os sons e pedidos. Distrai-me nas regras e protocolos. Disfarcei, enfim, de nada.

As palavras ficaram, jah os sentimentos...

Primeira vez Nessa forma estranha
Um dia, de olhos inchados, fui trazido até o mar,
Escutando musicas estranhas olhei ansiosamente a paisagem
Brinquei com as cores e sorri para o céu
Olhei as pessoas a minha volta e imaginei suas historias
De tudo aquilo, de todas aquelas cores e cheiros...
Nada me era mais exato do que me esperava
Os ponteiros flutuavam devagar,
E divagando sentia os pneus na lisa estrada
De todos os degraus aqueles eram os mais altos
E seus olhos os mais profundos
De todas as mãos a sua era a mais receptiva
Seus ombros também
Paralelepípedos e caminhos de madeira
rvores e agora sons, suas palavras...
Seus passos, seus dedos, sua boca,
Tudo compunha um ritmo contagiante
Suas luzes me fascinaram
Seus amigos não me entenderam
Suas ruas me intrigaram
Seus lábios.
De uma forma única vc me conduziu
E ao som do silencio me senti perdido
Me senti perdido em uma totalidadee sinto
De todas as imagens, só as mais bonitas me lembram vc
De todas as cores, só as mais intensas.
De todos os sons, só os que me fazem arrepiar.
De todos os cheiros, só aqueles que me lembram sorrisos
E ainda nada me faz lembrar
E ainda nada me faz parar de pensar
E ainda não sei o porque de tudo
E ainda me irrito pelas poucas palavras

terça-feira, 24 de março de 2009

Poucas coisas...


Sabe uma das poucas coisas que me fascina na vida?É ir descobrindo as pessoas, descobrir seus ritmos, suas verdades, seus olhos. Vê-las se moldando diante de mim e de repente ver toda essa imagem desmoronar, e logo criar outra.Descobrir o cheiro, as importâncias, os valores. Depois descobrir que tudo é mentira e voltar e observar. É engraçado como a principio somos um punhado de palavras, uma roupa bonita, ou não, e uma mascara bem feita. É engraçado como tudo isso, que tanto nos dá trabalho, demora tão pouco para se dissolver.Alguns têm interesses, alguns são simplesmente curiosos, outros não querem nada. Mas todos se criam e recriam, bem ali, há um palmo. Confesso que às vezes prefiro-os como um punhado de qualquer coisa. Mas às vezes, como já me disse, me fascino.

Lá estávamos eu, estávamos

Um olhar perdido no meio daquela multidão que ia para lugar algum, ou em direção ao breu. Tudo se movia rapidamente junto com o pulso. Pulso abandonado. E aquele olhar ia se perdendo entre pernas e mãos. Suado ia se jogando as traças, aos truques dos pouco inteligentes. Ora ou outra se divertia com os saborosos importunos alheios, e os beijava, beijava sempre, mas nunca para sempre. Se deixava levar pelas musicas cantadas a beira da orelha. Sentia cócegas com as barbas, farpas e cuspidas. E lá ia, olhos, olhos coloridos de quem nem sabia que os tinha. De mãos atadas, ia, sem parar, sem olhar para ninguém. Mas o pulso batia, batia mais forte que as fortes passadas da multidão. E aquela inquietude ia tomando o pulso, os dedos, o fôlego. E já não havia mais barbas suficientes e as canções se esgotaram. E é tão difícil prestar atenção em algo. Tão tão difícil. Será que teus olhos trombarão com os meus, surgirão no meio desse acumulado de corpos de fumaça. E esse pulso que não para de bater, acalma-te.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Olha!

Olha só, aquele menino jogado no ar, como criança. Será que ele sabe voar, chorar ao menos sei que sabe e sorri para todos, como se soubesse brincar, brincar de viver. Sabe, eu acho que eu o amo, mas nem sei o que amar. De longe brinco de observar seus desbotados olhos. Olhos de mundo. Olha que lindo olhar. Olha que lindo olhar. Morto. Será que ele sabe brincar? Brincar comigo sabe. Brincar com ele, tenho medo. Ele parece canção, canção de ninar. Ele parece sonho, sonho distante no ar. Sonho, sonho longo. Sonho longe, brincar comigo ele sabe.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

De todas as coisas do mundo


De todas as coisas do mundo
Você é a mais presente e mais singela
Voce é a mais timida, a mais criatica.
Você é a mais falante.
De tudo que respira
Você é a mais inconstante
A mais ansiosa
Você é a mais ambicioa
De tudo o que me fere
Voce é a mais competente
A mais carinhosa
A com mãos mais macias
De tudo que amo
Você é a mais esquecida
A que me dá mais orgulho
A mais negada
De tudo, tudo, você é a melhor.
A mais sincera, a mais estranha
A mais confusa
De tudo, te quero.
De tudo já tenho...
Mas me confudo nas palavras.
E no fim logo te esqueço

sábado, 3 de janeiro de 2009

Tochas

O dia estava tipicamente nublado e todos os olhos encharcados de desespero cotidiano. No rodar das coisas um ponto destoante brilhava no centro da cidade. Seu nome ninguém se atreva a pronunciar. Seu sorriso era disfarçado e suas bochechas criavam um tom rosado peculiar. As mães tampavam os olhos de seus infantis maridos. As crianças corriam para lugar algum. Os cães sarnentos cantavam e no meio da praça dourada uma confusão de cheiros e temperaturas transbordava.O ponto de luz continuava esticado no centro de tudo com um ar indiferente. De nada sabia, de formas, formulas, fábulas ou fantasias.Sua família o abandonará. Seu rude brilho acabará com a tv e o radio. Seu tio, o mais velho, enlouquecerá e suas donas entediaram-se.Logo a nuvem negra pairou sobre o asfalto e a multidão aplaudirá para direções aleatórias com lábios abertos e orgulhosos dentes amarelos a mostra. Uma temperatura morna e suficiente chegará com a poeira trazida. E os cães latiam. O ponto no meio da praça chuvosa foi-se acamando, esmagando. E as donas chorando, porque é assim que se deve ser. Um por um foi-se indo para seus prazerosos despercebidos afazeres. De olhos fechados e sorriso no rosto, com lágrimas obrigatórias. As crianças perdidas e os cachorros mortos cheirando a rosas. E do ponto luminoso tão pouco sobrou. Um grão de areia tão tão longe do mar.

Carta sobre o obvio


Carta sobre o obvio

E cá estou eu, mais uma noite perdido entre o meu orgulho e minha carência, olhando cores onde não há, dando movimento a coisas mortas no ar. Cá estou eu mais uma vez escutando musicas tristes para distrair, para extravasar. Perdido na minha insegurança, nos meus desejos. Cá está você na minha lembrança, e pior que nem posso enxergar se estás bem ou mal desenhado. e o quanto importa. Pelo menos consigo ver que tudo são sintomas previsíveis, aquela pontinha de ciúme que me explode por dentro. É só o que sobrou dentro.