O dia estava tipicamente nublado e todos os olhos encharcados de desespero cotidiano. No rodar das coisas um ponto destoante brilhava no centro da cidade. Seu nome ninguém se atreva a pronunciar. Seu sorriso era disfarçado e suas bochechas criavam um tom rosado peculiar. As mães tampavam os olhos de seus infantis maridos. As crianças corriam para lugar algum. Os cães sarnentos cantavam e no meio da praça dourada uma confusão de cheiros e temperaturas transbordava.O ponto de luz continuava esticado no centro de tudo com um ar indiferente. De nada sabia, de formas, formulas, fábulas ou fantasias.Sua família o abandonará. Seu rude brilho acabará com a tv e o radio. Seu tio, o mais velho, enlouquecerá e suas donas entediaram-se.Logo a nuvem negra pairou sobre o asfalto e a multidão aplaudirá para direções aleatórias com lábios abertos e orgulhosos dentes amarelos a mostra. Uma temperatura morna e suficiente chegará com a poeira trazida. E os cães latiam. O ponto no meio da praça chuvosa foi-se acamando, esmagando. E as donas chorando, porque é assim que se deve ser. Um por um foi-se indo para seus prazerosos despercebidos afazeres. De olhos fechados e sorriso no rosto, com lágrimas obrigatórias. As crianças perdidas e os cachorros mortos cheirando a rosas. E do ponto luminoso tão pouco sobrou. Um grão de areia tão tão longe do mar.sábado, 3 de janeiro de 2009
Tochas
O dia estava tipicamente nublado e todos os olhos encharcados de desespero cotidiano. No rodar das coisas um ponto destoante brilhava no centro da cidade. Seu nome ninguém se atreva a pronunciar. Seu sorriso era disfarçado e suas bochechas criavam um tom rosado peculiar. As mães tampavam os olhos de seus infantis maridos. As crianças corriam para lugar algum. Os cães sarnentos cantavam e no meio da praça dourada uma confusão de cheiros e temperaturas transbordava.O ponto de luz continuava esticado no centro de tudo com um ar indiferente. De nada sabia, de formas, formulas, fábulas ou fantasias.Sua família o abandonará. Seu rude brilho acabará com a tv e o radio. Seu tio, o mais velho, enlouquecerá e suas donas entediaram-se.Logo a nuvem negra pairou sobre o asfalto e a multidão aplaudirá para direções aleatórias com lábios abertos e orgulhosos dentes amarelos a mostra. Uma temperatura morna e suficiente chegará com a poeira trazida. E os cães latiam. O ponto no meio da praça chuvosa foi-se acamando, esmagando. E as donas chorando, porque é assim que se deve ser. Um por um foi-se indo para seus prazerosos despercebidos afazeres. De olhos fechados e sorriso no rosto, com lágrimas obrigatórias. As crianças perdidas e os cachorros mortos cheirando a rosas. E do ponto luminoso tão pouco sobrou. Um grão de areia tão tão longe do mar.
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