domingo, 29 de junho de 2008

Fração



Nada mais do que isso...Tudo que perco do outros sobra em mim. Minhas palavras, meu ritmo. O quanto um pé vai à frente do outro e meus ombros balançam. E nada, nada mais do que isso...Um sorriso no meio do pátio, no barulho. Um espasmo nos olhares, e uma mão não muito segura. Nada. Nada do que falei era verdade, e nem você para perceber isso. Meus olhos, enfim, são de mentira, círculos que brilham quando a lua esta na sua posição mais imponente. E olha essa lua, amarela, e sorridente. Sorridente fico com você tão longe, e de péssimo humor estou. Minha cama esta tão vazia. E descubro que tudo esta na magia dos abraços parados nesse mundo de ondulações. Um segundo, sentindo seu coração acelerado, seu rosto inquieto. E nem faz muito sentido. Mas logo é a cena mais significante há muito tempo. E na noite seguinte sou afogado em sonhos estranhos, em imagens bonitas que transbordam do meu subconsciente. E tudo isso me faz feliz. Incompleto, mas feliz. Parado no ar, fico. E vejo tudo com uma cor saturada, tudo parece um borrão visto de cima. Mas não consigo me aproximar. Logo me torno inconstante e impaciente. Mas mesmo assim sorrio, e mais, e mais. Finjo para não te chatear, e de forma cuidadosa escondo meu ego, levanto a cabeça e fico com o que sobrou. Eu, mais uma vez, e meus braços, e ombros. E essa minha forma estranha de andar. E meu sorriso. E você...Lá do outro lado. De cabeça baixa, e não entendo pq. E esses carros que passam tão velozmente. Atormenta. Atormenta! Me levem daqui. E ninguém mais sabe as ruas desse caminho tão pouco usado, tão pouco. E me arrisco. E nada mesmo quero. E nada mais sobrará quando, enfim, descobrir que tudo isso é inútil. Ou se faz útil simplesmente por ser.

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